A FAMIGERADA FASE “BONITINHA, MAS ORDINÁRIA” DO MKT.

Vivemos um período do mkt e da comunicação que Nelson Rodrigues chamaria de “Bonitinha, mas ordinária”. Isso se explica, mas não se justifica.

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Primeiro, com o advento dos computadores e a acessibilidade dos programas/softwares, o número de pessoas que trabalham com produção de layout se multiplicou exponencialmente. Veja bem, eu disse produção e não criação, ou seja, dominar o Photoshop não faz de você um diretor de arte. É mais ou menos assim, ter uma habilitação não faz de você um piloto de F1.

Mas vale ressaltar, a explosão de mão-de-obra faz parte de um processo maior. Muitas faculdades abriram cursos que, de certa forma, são na verdade cursos técnicos travestidos de curso de formação. Ao menos é o que sugere as centenas de portfolios resultantes de jovens que fazem ou se formaram em tais cursos. Destaco em especial: Design Gráfico. O fenômeno é mais ou menos o seguinte. Uma centena de jovens entram nesses cursos almejando trabalhar como criativos em agências, empresas de brand ou de design. Eles buscam essa opção como um caminho mais curto. Infelizmente, o falso atalho será extremamente mais pedregoso. Esses jovens não foram formados para criar, não tem base para a construção de ideia e muito menos de marca. Saem da faculdade meros “layoutadores”. Ou seja, o que seria um caminho mais curto para iniciar uma carreira, se o jovem não tomar cuidado, pode ser uma linha reta para o precipício.

Mas existem outros fatores para essa fase pouco inspiradora. Um dos mais relevantes é a mudança drástica no formato de consumo, produção e entrega de tudo que está ligado à comunicação. E é preciso se ater a um fato – a relação mudou, mas a essência não. O ser humano, por mais avançado que seja, ainda vive de impulsos primitivos e quem souber ler isso de forma correta vai saber fazer a transição com maestria. Acredito que nesse período, a persona que mais sofre nessa transição sejam os meus irmãos redatores. Erroneamente, ao menos me parece – e digo isso porque estou afastado do formato clássico de agência a mais de 8 anos – que o redator hoje tem um papel menor, quase decorativo na construção do não-conceito criativo das campanhas e marcas. De que vivem os redatores (no formato clássico com roupagem moderninha) hoje? De anúncios de revista que ninguém vê? De escrever roteiros de comerciais banais? De escrever textos informativos de rádio? De inventar argumentos fantásticos para criar a percepção de novo na hora de vender o requentado? Não sei, mas está claro que estão passando por um período bem complexo de suas funções. Sim, porque a ideia/conceito parece subjugada a um terceiro ou quarto nível, bem após a fotografia bonita, o layout colorido, a informação óbvia e o logotipo, é claro. Porém, e sempre há um porém, aqueles que entendem um pouquinho dos ciclos da humanidade e dos negócios sabem de algo muito importante – logo mais a fase do filtro vai chegar. E ela vem arrasadora. E só vão restar os bons ou os ótimos. Se você tiver alguma dúvida, pesquise um pouco da trajetória das empresas “.com” ou do início do Vale do Silício. E, como esses exemplos, temos outros que acontecem ciclicamente desde a Grécia antiga ou antes.

Pois bem, estamos vivendo o império dos lindos e burros. Mas como você já viu, “The Winter is coming”. Então, se puder dar um conselho, comece o quanto antes a qualificar e trabalhar fortemente o conceito da sua marca para não ter um fim igualmente ordinário ao momento que passamos.

Ler faz bem.

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Ter referencias faz bem.

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