OS BONS TEMPOS NÃO VOLTARAM, MAS VÃO.

Se você atuou criativa e ativamente em mkt entre os anos 90 e 2010, com certeza entendeu essa campanha e acertou todas as respostas. Se você ingressou pós 2010, mas é um verdadeiro pesquisador da essência do mkt, é bem possível que também tenha acertado tudo. Mas me arrisco a dizer que para a grande massa esta campanha é quase que totalmente incompreensível. O que de certa forma é até compreensível.

A campanha em questão, de forma extremamente minimalista, usando apenas cor, tipologia e formas geométricas, apresenta grandes empresas que foram muito além de seus portes e aportes financeiros, pois conseguiram realmente consolidar uma marca, uma linha de comunicação e uma conexão com o público sólida e verdadeira. Tanto, que a partir de sutis sugestões conseguimos identifica-las.

Hoje, com as mudanças, com os novos canais e seus hábitos de consumo muito específicos, bem como, com uma certa desorientação do que fazer e para onde ir por parte de publicitários e clientes, as empresas estão apostando todas as suas fichas no imediatismo fugaz. Muitos defenderão tal postura dizendo que os tempos mudaram. Estão certos, em parte.

Os tempos mudaram, até o ser humano também mudou um pouco, mas a sua essência continua a mesma. Na verdade, a relação com seus valores mudou, mas seus valores essenciais não. Assim, apostar no fugaz é jogar dinheiro pela janela. Apostar numa construção de marca sólida, é investir verdadeiramente no hoje e no futuro ao mesmo tempo. Se a sua comunicação está limitada a 20, 33 caracteres, prepare-se para ter muitas dores de cabeça.

Eu sou do tempo que as marcas tinham um discurso consistente e um universo lúdico encantador.
Na verdade, eu continuo sendo desse tempo, porque esse tempo não passou. Exatamente, a exigência de qualidade, de relações valorosas entre marcas e consumidores não passou e não vai passar. O fato de haver apenas 0,5% das marcas apostando nisso simplesmente resultou em consumidores carentes, sem referências e totalmente voláteis.

Como digo, repito e atesto, a comunicação em breve voltará a produzir grandes peças, a questionar hábitos sociais e a fazer as pessoas pensarem. Principalmente no Brasil que é o berço de grandes criativos e estratégicos. Essa volta já está acontecendo, ainda de forma sutil.

Mas fique bem esperto para não perder o trem da história ou, se preferir, o tele-transporte, tanto faz, o que importa é que o futuro nos trará bons frutos, mas só para quem iniciar o plantio agora, hoje, de preferência.

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