Face To Face – Empresários x Marketing

Há uma série documental no Netflix chamada Face to Face que pode ser muito reveladora para os apreciadores do mundo marketing. Nela, temos embates históricos entre pessoas, ideias e empresas. Os universos da moda e do luxo estão muito bem representados pelas disputas de Chanel vs Schiaparelli e François Pinault vs Bernard Arnault. Temos os duelos de titãs entre Coca e Pepsi, Jobs vs Gates, além da rixa familiar entre Adidas e Puma. A série é bem interessante e vale conferir. Mas, enquanto assistia, pensava em afirmações e, acima de tudo, em posturas de alguns empresários e foi isso que me levou a escrever esse texto. Em todos os casos apresentados na série e em muitos outros que conheço, o mkt foi um dos fatores estratégicos que possibilitaram essas empresas chegar ao porte e grau de importância que tem hoje. Isso é uma verdade tanto para as estratégias de low budget de Steve Jobs enquanto supostamente Wozniak construía o primeiro Apple na garagem – quanto para os rios de dinheiro despejados por Pinault e Arnault no mercado de luxo.

Até mesmo Coca e Pepsi já foram empresas modestas, acredite, e tiveram no mkt a grande alavanca para se tornarem o que são hoje. De forma alguma estou dizendo que mkt é tudo. Sim, é preciso ter que ter café no bule. Mas definitivamente mkt é muito, mas muito decisivo para ser grande e forte. Isso para mim é claro, é óbvio, como é para os mais competentes e vencedores empresários. Porém, às vezes, o número dos lúcidos me parece pequeno em relação ao todo. Estou cansado de ver empresários subestimando a importância do mkt, desconsiderando totalmente tal expertise ou pior, fugindo dessa prática como se fosse um engodo. Em que século vivem esses empresários? (E vale o parênteses, o fato de terem maus profissionais/empresas de forma alguma invalida o valor, a prática e seus méritos.) Outros se apresentam como apaixonados pelo mkt, no discurso, pois na prática estão igualmente ainda na era da Revolução Industrial. Grandes ideias, grandes produtos, grandes verdades não frutificam se forem privadas do mundo exterior. Não transformam a empresa e o negócio se não impactarem um número relevante de pessoas. Esse é o segredo para crescer.

Você deve criar uma verdade transformadora, encantadora e propagar aos sete ventos. Sim. Acredito que muitos empresários não assumem o mkt como uma ferramenta legítima e valiosa até porque sabem que seus produtos ou suas entregas estão muito aquém do mercado ou da expectativa do consumidor. Até nisso o mkt pode ser um incentivo, um parceiro. Ao definir a sua verdade – pois o bom mkt trabalha com a tradução e divulgação da verdade de cada empresa – muitas vezes o administrador identifica também melhorias que são necessárias na cadeia do produto e assim pode aprimorar suas entregas. Pois bem, acredito que alguns estão torcendo o nariz. Outros estão pensativos. De qualquer forma, desafio me apresentarem um sucesso relevante no mundo nos negócios em que o mkt não esteja envolvido. Mkt pessoal também vale. Fica o desafio. Vou esperar sentado.

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